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Uma pequena revolução está colocando o Brasil na rota de país mais empreendedor do mundo. Ainda não há tantas empresas quanto na China e nos Estados Unidos – os campeões nesse quesito, segundo o Global Entrepreneurship Monitor (GEM), que mapeia anualmente o empreendedorismo em 54 países -, mas é no território verde-amarelo que o maior número de novas companhias são abertas por ano. É uma arrancada comandada pelos microempreendedores individuais, que a burocracia estatal identifica como MEIs e que desde meados de 2009 estão sendo resgatados da Economia subterrânea para participar da cadeia formal, com direito a CNPJ e Previdência Social, dando em contrapartida uma contribuição mensal de R$ 37, no máximo, aos cofres públicos.

Para contar com tais benefícios, os MEIs não podem faturar mais que R$ 60 mil por ano, o que dá uma média de R$ 5 mil por mês. Eles formavam um contingente de pouco mais de 800 mil no fim de 2010, saltaram para 1,87 milhão um ano depois e hoje se aproximam dos 3 milhões – o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) contabilizou 2,9 milhões na última aferição, dez dias atrás.

“Não conheço outro país que tenha formalizado tanta gente em apenas três anos, quando foi criada a categoria, fruto da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas”, destaca o presidente do Sebrae, Luiz Barretto. A entidade prevê que o número de empreendedores individuais chegue a 4,3 milhões em 2014, superando o total de micro e pequenas empresas no país, que hoje ronda os 4 milhões. Enquadram-se entre as micro as companhias que movimentam até R$ 360 mil por ano, e entre as pequenas as que faturam desse patamar até R$ 3,6 milhões.

Além de se multiplicarem em altíssima velocidade, à razão de 170 novos inscritos no CNPJ por hora (foram 122 mil por mês no período de janeiro a setembro deste ano), os MEIs, segundo pesquisa do SEBRAE, são em geral mais jovens do que os empreendedores de maior porte (a maioria tem entre 24 e 39 anos), refletem melhor a igualdade entre os sexos (46% são mulheres, comparados a 30% de participação feminina no comando das MPEs tradicionais) e tocam o barco sozinhos (apenas 4% têm um ou mais funcionários contratados).

A grande maioria (69%) declarou ter buscado a formalização principalmente pela oportunidade de abrir um negócio. Os benefícios previdenciários, que os analistas do governo supunham ser o maior atrativo para os MEIs, foram apontados como a maior motivação apenas por 31% dos entrevistados. Mais de um terço deles (38%) já exercia o mesmo trabalho informalmente, enquanto 28% estavam desempregados. Para 55% dos ouvidos, a constituição da empresa foi decisiva para aumentar os rendimentos. E quase todos (94%) se mostraram satisfeitos e recomendaram a formalização.

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcelo Neri, nota que os MEIs foram os grandes responsáveis pela virada do empreendedorismo captada pela última Pesquisa de Amostra de Domicílios (PNAD), em 2011. “O número de trabalhadores por conta própria, que vinha diminuindo nas pesquisas anteriores, passou a crescer. O incentivo aos MEIs é uma política importante, que agora precisa ser reforçada com a Oferta de crédito a esses pequenos empreendedores, além de outras ações que facilitem o acesso deles ao mercado”, afirma.

Nos últimos dez anos, lembra Neri, a renda dos 10% mais pobres aumentou 91,2% no país, enquanto a dos 10% mais ricos cresceu 16,6%. Outro dado interessante registrado pelo Ipea é o persistente crescimento da renda do trabalho em geral num nível bem acima do PIB. “De 2003 a 2011, o PIB cresceu 27%, enquanto a renda do trabalho subiu 40%. E nos primeiros oito meses de 2012 o descolamento entre esses dois índices foi ainda mais flagrante, com a renda crescendo 4,6%, cinco vezes mais do que o PIB. O mercado de trabalho no Brasil está aquecido, embora a Economia nem tanto. É exatamente o oposto do que ocorre na China e na Índia”, observa.

Enquanto nas MPEs a venda direta representa 59% do faturamento, nas microempresas individuais esse percentual – embora ainda não medido com precisão – é de praticamente 100%. Os MEIs dedicam-se basicamente ao comércio (39%), à prestação de Serviços (36%) e a pequenas atividades industriais, como a Produção de bijuterias, roupas e doces (17%) – nas MPEs, esses índices são, respectivamente, de 58%, 28% e 13%.

Mas se o acesso à vida empresarial ficou muito mais fácil com a instituição do microempreendedor individual, o desafio da inovação na iniciativa privada também cresceu. O mesmo GEM que coloca o Brasil entre os países mais empreendedores ressalva que estamos entre os povos menos inovadores do planeta. “Estamos tentando reverter isso com programas como o Sebraetec, que subsidia até 90% de consultorias para companhias dispostas a inovar, e com a rede de Agentes Locais de Inovação, formada por universitários recém-formados, que oferece soluções inovadoras para os gargalos de micro e pequenas empresas”, afirma Luiz Barretto, do SEBRAE.

Os dados do próprio SEBRAE sobre o assunto, pesquisados pela última vez em 2009, não são nada animadores: segundo eles, 54% das MPEs brasileiras não realizaram nenhuma inovação nos 12 meses anteriores ao levantamento, 43% introduziram algum tipo de inovação no produto, no processo de Produção ou na técnica mercadológica, e só 4% realizaram inovações nessas três áreas.

O peso da inovação no crescimento empresarial é percebido mais claramente em programas de estímulo à excelência, como o adotado pela Endeavor, organização internacional sem fins lucrativos presente em 17 países emergentes, entre eles o Brasil.

Ao contrário do SEBRAE, que se propõe a orientar todo o universo das micro e pequenas empresas brasileiras, e agora também das MEIs, em seus mais variados estágios de maturação, a Endeavor seleciona companhias que se destacam pelas propostas inovadoras para apoiar e transformar em exemplos de sucesso. “Nós damos as ferramentas e acompanhamos os planos de expansão, por meio de um gestor que atua como ‘sócio oculto’ da empresa e dos conselhos de 300 mentores, recrutados entre os maiores empresários brasileiros, que doam sua experiência ao programa. O resultado é um crescimento médio anual acima de 40% entre essas empresas”, explica o diretor de educação e pesquisa da Endeavor, Juliano Seabra.

As 55 companhias brasileiras que participam desse programa faturam R$ 2,4 bilhões em conjunto, empregam 14,5 mil pessoas e representam 20% do desempenho global das 443 empresas apoiadas pela Endeavor nos 17 países. Nessa privilegiada amostra, bem ao contrário do que acontece entre as empresas nacionais como um todo, o Brasil se revela quase duas vezes mais inovador do que os demais países participantes do programa.

MPEs são base de emprego

Juntas, as micro e as pequenas empresas formam um bloco vigoroso. Segundo o Ministério do Trabalho, essas companhias de menor porte sustentam quase metade (45,8%) dos empregos formais no país. O Sebrae, cuja rede de apoio ao micro e pequeno empresário conta com 700 postos de atendimento e mais de 5 mil colaboradores, espalhados por todo o país, estima ainda que elas sejam responsáveis por 40% da massa salarial e pela significativa fatia de 25% do PIB.

A Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), enviada anualmente pelo conjunto das empresas ao Ministério do Trabalho, mostra que, em 2011, o total de postos de trabalho com Carteira assinada atingiu 46,31 milhões no país, assim distribuídos: 11,86 milhões (25,6%) nas microempresas, 9,36 milhões (20,2%) nas companhias de pequeno porte, 8,83 milhões (19,07%) nas empresas médias e 16,26 milhões (35,11%) nas grandes corporações.

Além de dar uma ocupação formal aos seus titulares, que hoje já somam 2,9 milhões, o SEBRAE calcula que as MEIs tenham aberto cerca de 100 mil empregos estáveis desde sua instituição, em julho de 2009. Já o cálculo da contribuição das MEIs para a Previdência Social tem sido prejudicado pelo alto índice de Inadimplência no pagamento do imposto. “Os microempresários individuais estão deixando de pagar muito mais por causa da dificuldade de acesso ao boleto, que precisa ser baixado da internet, do que por sonegação”, avalia o superintendente do Sebrae-SP, Bruno Caetano. “Mas isso será corrigido com um Convênio que está sendo feito com a Caixa Econômica Federal para o pagamento do imposto nas lotéricas, bastando apresentar o número do CNPJ.”

Com base em dados do Portal do Empreendedor e da Receita Federal, o SEBRAE estima em R$ 37,9 bilhões o Faturamento das MEIs em 2011, o que daria 0,92% do PIB de R$ 4,14 trilhões do ano passado. Hoje essa participação, pela rápida Expansão das MEIs, estaria ao redor de 2%, no mínimo. (LM)

Copa 2014 vai ampliar a Oferta de produtos

O Brasil vai sediar a Copa do Mundo só daqui a dois anos, mas a bola já está rolando nos gramados empresariais. Os micro e pequenos empreendedores, que somam 6,5 milhões de empresários no Brasil, não querem ficar no banco de reservas e pretendem ampliar sua Oferta de produtos. Para isso, o SEBRAE lançou no ano passado o SEBRAE 2014, um programa para capacitar esse setor para a grande oportunidade econômica gerada pela Copa do Mundo, numa preparação também para a Olimpíada de 2016.

Segundo Bruno Caetano, superintendente do Sebrae-SP, foi contratada uma pesquisa junto à Fundação Getúlio Vargas (FGV), que mapeou os dez principais setores que poderão ser beneficiados com o evento esportivo: comércio varejista, construção civil, Economia criativa, madeira e móveis, Produção associada ao turismo, serviços, Tecnologia da informação, turismo e vestuário.

O objetivo é fazer com que as micro e pequenas empresas (MPEs) cresçam dos atuais cerca de 25% de participação no Produto Interno Bruto para até 40%, próximo ao que é verificado na Argentina e no Chile, afirma Caetano.

Além de continuar ajudando os empresários a montar seus planos de negócio, consultoria financeira e jurídica, o SEBRAE vem realizando workshops em suas unidades em todo o país para orientar os empreendedores sobre as regras da Fifa para o licenciamento de marcas e lançará, até o fim do ano, um portal para que as MPEs possam conhecer melhor as demandas por produtos de grandes empresas e consigam fechar negócios tendo em vista 2014. “Não é uma ideia nova, isso já aconteceu na Olimpíada em Londres, e que deu muito certo. O SEBRAE está trazendo essa ideia para o Brasil. Seria como um site de classificados”, diz Caetano.

De acordo com José Bento Desie, consultor do Sebrae-SP, o empresário precisa entender que as principais oportunidades vão além daquelas relacionadas diretamente à Copa do Mundo. “O grande tema que a Copa traz é a brasilidade. A gente verifica por pesquisas que a expectativa dos consumidores que virão pra cá está voltada para encontrar produtos com a cara do Brasil. Não só os estrangeiros, como os nacionais também”.

Flávio Secchin, coordenador do Projeto de Licenciamento para a Copa do Mundo 2014 da Globo Marcas, concorda. Segundo ele, os micro e pequenos empresário não devem tentar concorrer com uma grande empresa que produzirá camisetas oficiais em larga escala e a custo baixo, por exemplo. “A ideia é descobrir nichos, oportunidades regionais, coisas ligadas ao artesanato, sustentáveis, materiais diferenciados, que uma grande indústria não vá fazer, como algo customizado para as cidades sedes. Aí há uma oportunidade grande no licenciamento para as MPEs”, diz.

A Globo Marcas também licenciará canais de distribuição: lojas oficiais nas ruas e na internet, vendas para o Varejo e quiosques. Outra oportunidade para o micro e pequeno empresário é montar um quiosque oficial dentro de um shopping, afirma.

Apostando no conceito de brasilidade, a empresa Arte em Cena, de Campinas (SP), busca junto à entidade empresarial a qualificação necessária para desenvolver o projeto “Samba na bola”: um show musical que canta a história do samba através das Copas do Mundo desde 1919. “Este projeto é resultado de uma pesquisa desenvolvida pela musicista e compositora Ana Person, que também é cantora e participa do show”, diz Silvia Schober, gestora cultural da Arte em Cena.

Outro exemplo é o que está fazendo Wladimir Barbosa, dono da Prize Eventos, que está alinhando seu plano de negócios para elevar seu Faturamento anual em 30%, hoje em torno de R$ 200 mil. Atualmente com oito funcionários, a empresa, que promove eventos empresariais e esportivos, espera contratar mais 15 empregados até 2014 para fazer turismo cultural em São Paulo voltado ao público estrangeiro. “Queremos explorar o teatro paulistano, o Museu do Futebol, o Memorial da América Latina, porque é importante passar ao turista as raízes da nossa cultura”, afirma

A expectativa pelo evento chega a mobilizar até o setor de controle de pragas. A Truly Nolen, empresa americana com 28 representações em todo o Brasil, espera elevar seu Faturamento de R$ 20 milhões no Brasil em 30% com a Copa do Mundo, conta José de Rezende, dono da marca no país. A ideia é aumentar a venda de Serviços de controle de pragas como formigas e baratas para restaurantes, lanchonetes e rede hoteleira, diz Rezende.

Sebrae quer dar salto de qualidade

O Sebrae comemora quatro décadas de existência prometendo reinventar-se. A instituição constatou que precisa dar um salto qualitativo e levar consigo sua clientela. O nome do jogo para as empresas brasileiras deixa de ser sobrevivência e passa a ser competitividade.

“Tivemos, nesses 40 anos, muitas mudanças no ambiente econômico brasileiro”, constata Luiz Barretto, presidente do SEBRAE. “O que precisa de mudanças importantes agora é o ambiente das empresas.” Segundo Barretto, o serviço está se adaptando para levar as pequenas a um patamar de gestão mais moderno.

Segundo o presidente do Sebrae, o órgão superou a fase em que o importante era ser um pronto-socorro de empresas em dificuldades. O perfil que era reativo se torna mais propositivo.

“Estamos fazendo um grande esforço para nos voltarmos para a demanda, refletir mais o que as empresas precisam e menos o que a gente já tem a oferecer”, resume o diretor-técnico da entidade, Carlos Alberto dos Santos. Ele defende que as empresas precisam de uma visão competitiva, mesmo as que não sofrem efeitos diretos do mercado global.

Inovação tem sido preocupação constante do serviço, que hoje destina a programas do gênero cerca de 20% de seu Orçamento – de R$ 2,2 bilhões em 2012 -, de acordo com o diretor de administração e finanças, José Cláudio dos Santos. O SEBRAE emprega 75% de seus recursos em programas e projetos para desenvolvimento do empreendedorismo.

Para dar conta das novas atribuições, o SEBRAE está investindo na ampliação das formas de atendimento. Perto de 35% do atendimento já é virtual. “E isso vai aumentar”, prevê Barretto.

A intenção não é diminuir a consulta presencial. Ao contrário. Ela vai se tornar mais seleta, transformando-se em uma consultoria que possa ajudar na gestão das empresas da forma mais individualizada possível. “Precisamos entender mais as minúcias, as diferenças de cada ramo de negócio”, diz o presidente.

O reforço na consultoria customizada parte da constatação de que quanto mais informações e canais de acesso a entidade oferece, maior é a Demanda por Serviços específicos. Assim, a consultoria remota e a informação genérica ajudam a ampliar a clientela – com maior número de candidatos a empreendedor e mais empresas iniciantes -, mas tem Utilidade restrita à primeira fase de vida de um negócio. Na medida em que ele cresce e amadurece, as necessidades são outras, mais complexas, e que merecem do órgão uma atenção mais aguda. Em contrapartida, o acesso virtual tem ampliado o número de atendidos a custos mais baixos.

Para dar conta das tarefas o Sebrae tem investido na capacitação de seus profissionais. Em 2011, os vários canais de treinamento do órgão, incluindo a Universidade Corporativa, ofereceram 11 mil treinamentos, num total de 14 mil horas. Além disso, foram realizados 28 cursos on line, com 2 mil inscritos. Segundo José Cláudio dos Santos, a entidade investiu no ano passado R$ 11 milhões em capacitação de seus cerca de 6 mil funcionários diretos e 8 mil indiretos (das entidades conveniadas).

O órgão está criando parcerias com órgãos como a Caixa Econômica Federal e os Correios para que sejam disseminadores de informações. Ainda em fase inicial, essas parcerias devem levar às agências da Caixa e dos Correios totens de autoatendimento do SEBRAE, entre outras modalidades de informação. O serviço prepara um modelo de acesso por mensagens de celular, além das possibilidades de consulta disponíveis pela internet. Estão na agenda discussões como a revisão do teto de Faturamento para enquadrar empresas nos regimes tributários, a inclusão de Serviços que hoje estão alijados no Supersimples – como profissionais de saúde: fisioterapeutas, por exemplo – e a diferenciação de tetos conforme a atividade.

Formação tem deficiências

Para um país que está entre os mais empreendedores do mundo, o Brasil apresenta um desempenho tímido em educação empreendedora. Esse cenário começa a mudar e será visível na edição deste ano da Rodada de Educação Empreendedora, realizada pela Endeavor e pelo Sebrae de 8 a 10 de outubro, em Florianópolis (SC).

Versão da Roundtable on Entrepeneurship Education (REE), conferência idealizada pela Universidade de Stanford, a rodada chega a sua terceira edição com significativo aumento do número de participantes. “No primeiro ano foram entre 70 e 80 professores de 45 universidades brasileiras. No ano seguinte, quase dobrou”, afirma Juliano Seabra, diretor de educação, pesquisa e cultura da Endeavor. “Para 2012 estamos prevendo a participação de mais de 200 professores de mais de 100 instituições de ensino superior do país.”

Pesquisa da Endeavor mostra que 50% dos estudantes do ensino superior consideram a carreira empreendedora como uma possibilidade. Por isso, os organizadores pretendem dar mais visibilidade ao ensino do empreendedorismo e fazer com que a academia o abrace com mais vigor. A maioria dos que se dedicam ao tema o fazem por iniciativas individuais ou de pequenos grupos. (EB)

Fonte: Valor Econômico

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