O toque feminino nos negócios

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“Na política, se você quiser que algo seja dito, peça para um homem. Se quiser que algo seja feito, peça para uma mulher.” A frase foi cunhada por Margaret Thatcher, primeira-ministra do Reino Unido de 1979 a 1990. A constatação de That­cher sobre diferença dos gêneros no poder também poderia ser aplicada ao ambiente de negócios. É seguro afirmar que homens e mulheres, ao lidar com o desafio de empreender e tocar adiante um negócio, o fazem de forma diferente. Quais são as características eminentemente femininas que distinguem a mulher do homem quando estão à frente de um empreendimento?

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Para responder a essa pergunta, o banco Itaú resolveu fazer uma pesquisa – de olho também num mercado em firme expansão. Nos últimos cinco anos, houve um crescimento de 46% no número de mulheres que procuraram o banco em busca de crédito para financiar suas empresas. Entre os homens, houve uma queda de 34%. No Banco do Nordeste, maior operador de microcrédito do Brasil, em junho, 65% dessas operações foram realizadas por mulheres. A pesquisa foi feta com mulheres de três grandes capitais brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte), com negócios que faturam entre R$ 500 mil e R$ 2 milhões por ano. Descobriu que os aspectos que distinguem as mulheres dos homens começam na natureza do empreendimento. Enquanto os homens buscam uma oportunidade de ganhar mais dinheiro, as mulheres decidem empreender, em geral, depois que os filhos crescem ou para mudar de carreira. Buscam preponderantemente flexibilidade na jornada de trabalho e complementação da renda.

Empresas apostam na ascensão feminina

A executiva Ana Fontes, da Rede Mulher Empreendedora, plataforma de serviços que apoia as mulheres no desenvolvimento de negócios, diz que as mulheres tendem também a abrir empresas especializadas em atividades que já exerciam no trabalho ou em casa – 52% delas seguem esse caminho, segundo a Endeavor, uma ONG especializada no incentivo ao empreendedorismo. A trajetória empreendedora de Renata Frioli, casada e mãe de duas adolescentes, seguiu esse padrão. Há dois anos, ela decidiu abrir, em São Paulo, a loja de bolos caseiros Bolo à Toa. A inspiração para o negócio foi familiar. “Na minha infância, no interior de São Paulo, sempre havia lanche da tarde com bolo caseiro, feito pela minha avó. Queria trazer a simplicidade do interior para São Paulo”, diz Renata. Ela adaptou algumas receitas e instalou o negócio numa pequena casa de fachada rosa, semelhante à da avó, no bairro de Pinheiros.

Para dar conta de tudo – casa, família e empresa –, Renata se desdobra. “Gerenciar as tarefas é difícil, especialmente conciliar a vida profissional com a vida das minhas filhas”, diz. Essa é uma realidade comum às empreendedoras que não abandonam as tarefas domésticas. Em média, elas acabam trabalhando cinco horas a mais por semana que os homens – muitas vezes sem garantia de retorno financeiro. Com o acúmulo de tarefas, torna-se para elas mais difícil não misturar as relações domésticas com o trabalho. Daí para fazer um caixa único – para o em­preen­dimento e para as despesas familiares – costuma ser um pulo, geralmente com resultados negativos. “A falta de separação do dinheiro da família e da empresa costuma matar o negócio”, afirma Luiz Barretto, diretor nacional do Sebrae.

A contratação de parentes e amigos, outro desdobramento dessa mistura pouco saudável entre o ambiente familiar e o negócio, é outro erro em que as mulheres costumam incorrer mais facilmente que os homens. Renata, administradora de empresas por formação, tem um irmão como parceiro no negócio, mas diz que consegue administrar os conflitos, porque a divisão de tarefas entre os dois é muito clara. O irmão manda na cozinha, enquanto ela trata de todos os outros aspectos do negócio. “Deixar a cozinha com meu irmão não foi fácil. Mas entendi que não daria certo fazer tudo quando o negócio começou a crescer”, diz Renata. A importância de delegar tarefas é uma lição que muitas mulheres não aprendem ao se lançar num empreendimento. A pesquisa do Itaú constatou que elas tendem a querer controlar tudo em seus mínimos detalhes – muitas vezes em detrimento do bom andamento do negócio.

A dedicação intensa das mulheres costuma melhorar os resultados de um empreendimento. Um estudo com 20 mil empresas e 167 mil executivos (12 mil mulheres) feito pela Dow Jones VentureSource, um dos maiores bancos de dados sobre empresas do mundo, constatou que ter uma mulher como fundadora ou na liderança de uma empresa aumenta suas chances de êxito – as empresas bem-sucedidas, em média, têm duas vezes mais mulheres em postos de comando do que as malsucedidas. Esse dado mostra como as mulheres, apesar dos novos conflitos, estranhos a ambientes ainda majoritariamente masculinos, podem melhorar o padrão de operação de muitas empresas. Nem que seja injetando à gestão dos negócios uma boa dose de coração.

O jeito delas (Foto: ÉPOCA)

Fonte: Época

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