S.A. de consumo em recuperação

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O valor de mercado das empresas de capital aberto de consumo e varejo – que chegaram a valer na bolsa a soma recorde cerca de R$ 520 bilhões ao fim de janeiro de 2013 – dá sinais de recuperação. Depois de registrar perdas em março e abril, quando o montante atingiu, ao fim daqueles meses, R$ 487 bilhões, essas companhias voltaram ao patamar do meio trilhão de reais, ao alcançar ontem valor de R$ 500 bilhões, com base na cotação das ações das 32 empresas do setor, calculou o Valor Data. Mas analistas reforçam que faltam sinais consistentes que indiquem tendência de subida no preço das ações – naquilo que especialistas chamam em seus relatórios de “terreno incerto” para as companhias.

Desde o fim de 2012, houve três movimentos claros. Entre dezembro e janeiro, aconteceu a escalada nos preços, com investidores estrangeiros e locais buscando papéis do setor, não só por estarem baratos na época, como para se protegerem de oscilações em outros mercados. A Ambev, maior empresa da bolsa em valor de mercado, chegou a valer soma recorde de quase R$ 290 bilhões em 31 de janeiro. “Muita empresa ficou cara, e como sempre acontece, veio o ajuste nos preços e a maioria caiu”, disse Pedro Galdi, estrategista-chefe da SLW Corretora. Os meses de março e abril, terminaram com o valor de mercado total das empresas apurando queda 6,5% em relação ao início do ano. Do total de 32, 17 fecharam o mês de abril valendo menos do que no fim de janeiro.

O que ajudou a jogar as cotações para baixo foi, além da queda esperada após picos nos preços, os temores de novos repiques na inflação e de aumentos na taxa básica de juros. Isso afeta as vendas e afugenta os consumidores. Piora nas expectativas de resultados de balanços de primeiro trimestre, traduzido na época como sinal de desaceleração do varejo contribuíram para a saída de investidores dos papéis. Natura, Hering, Guararapes e Magazine Luiza encolheram – e nessa conta ainda entrou fatores pontuais de cada empresa, que interferem na cotação. “Com o crescimento do volume menor, e as despesas pressionados pela inflação, diversos varejistas sofreram compressão das margens de janeiro a março”, escreve a equipe de análise do Goldman Sachs, em relatório publicado ontem.

O que se vê agora, passado o baque, é o retorno de investidores, como ocorre depois que o papel volta a ficar barato, e também por causa de novas expectativas de menor pressão inflacionária no segundo semestre. A natureza do próprio setor ajuda, formado por empresas com fundamentos sólidos, como Renner, Pão de Açúcar e AmBev. Segundo cálculo do Valor Data, o valor de mercado das 32 companhias – que foi a R$ 487,3 bilhões ao fim de março e R$ 487,7 bilhões ao fim de abril – atingiu R$ 500,9 bilhões ontem.

No acumulado deste ano, até ontem, o Ibovespa apura queda de 8% enquanto as ações das empresas do setor de varejo e consumo registraram queda menor, de 3,5%. AmBev, Pão de Açúcar, Lojas Renner e Arezzo estão no grupo dessas companhias com alta acumulada no papel neste ano acima de 2%.

“Agora, todo mundo vai ficar de olho nos novos indicadores como o desempenho do PIB no primeiro trimestre e o resultados da reunião do Copom, com a nova taxa Selic, para ter clareza maior”, disse Galdi. “Nas avaliações que o mercado faz hoje, de um lado temos expectativa de um juros maior, mas de outro, ainda há renda e desemprego estável”.

A tendência, no entanto, continua pouco clara. Relatório da equipe de análise do Goldman Sachs publicado ontem reforça que ainda existem sinais de uma demanda cautelosa por parte dos consumidores – especialmente aqueles que dependem de crédito para consumir. Ainda diz que o mês de maio foi “satisfatório” mas com uma “notável ausência de entusiasmo” das lojas, sendo que no mês acontece o Dia das Mães, segunda melhor data do varejo.

No relatório, o Goldman Sachs elevou os preços-alvo de oito papéis (Renner, Localiza, Raia Drogasil, Lojas Americanas, Hypermarcas, Hering, Restoque e Natura) e cortou de cinco (Technos, Brazil Pharma, Magazine Luiza, Marisa e B2W).

Nas palavras de outra equipe de análise, do Deutsche Bank, há um “terreno incerto” para as companhias de varejo em toda a América Latina, e as incertezas de um aumento no consumo no Brasil ainda persistem, informa relatório de 7 de maio, assinado por Jose Yordan e Renata Coutinho. O Deutsche recomenda a manutenção na carteira de nove empresas, como Ambev, Marisa e Magazine Luiza, a venda apenas de B2W e a compra de papéis da Hering.

Ao se avaliar cada uma das 32 companhias, com base no preço da ação pelo valor patrimonial da ação (P/VPA) é possível verificar quais empresas estão sendo negociadas abaixo de seu valor de patrimônio, dentro de um mesmo setor – o que ajuda a orientar análises dos papéis pelos especialistas. Não se usa apenas esse indicador, mas um conjunto de dados – até porque há empresas com problemas que apresentam baixa relação P/VPA. Ao se desconsiderar essas companhias, e se avaliar a relação P/VPA, os destaques hoje são Renner, Arezzo, Natura e Raia Drogasil.

Fonte: Valor Econômico

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