Microempreendedores Individuais prosperam a partir de pequenos negócios

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Aos 19 anos, Felipe Batista Franco já reunia as principais características de um empresário de sucesso: tinha metas bem definidas, iniciativa, comprometimento, estava disposto a correr riscos e, principalmente, a buscar oportunidades. No caso dele, a intenção era ter um negócio próprio, e a oportunidade veio a partir do cadastro como Microempreendedor Individual (MEI) . Ele sabia que seria uma fase transitória, pois tinha o objetivo já traçado de ter uma empresa mais expressiva e com faturamento maior. Hoje, aos 21 anos, ele é microempresário, tem seis funcionários e prevê passos maiores para o futuro. Para ele, o MEI abriu as portas e garantiu subsídios financeiros para sustentar o sonho, que é comum a todo empresário: crescer.

Formado em 2010 como técnico em informática, Franco atuava como instalador de TV por assinatura, área que julgou vantajosa para exploração de um negócio. No ano seguinte, ele já estava inscrito no MEI como empresário no ramo de comércio e varejo de eletrônicos. Durante sete meses, tocou o negócio enquanto se estruturava para se tornar um prestador de serviço vinculado a uma grande empresa de TV por assinatura. A espera foi curta, e o negócio prosperou como planejado. “Faz um ano que migrei para microempresário e hoje meu faturamento é bem maior”, avalia. “Quando eu abri a loja, em 2011, como MEI, eu já estava preparado para dar esse salto”, destaca.

A gerente de atendimento individual do Sebrae Rio Grande do Sul, Viviane Ferran, salienta que a orientação aos cadastrados no MEI revela que “muitas empresas crescem de uma forma significativa, têm sucesso”, mas que é preciso ser persistente e buscar informação para garantir mais chance de acertos. A autoconfiança e a independência são outros aspectos que condizem com o perfil de um empresário que alcançou suas metas. “As pessoas aparecem aqui e dizem que elas não têm uma empresa, é só um negocinho. Precisamos conscientizar que esses pequenos negócios são empresas”, reforça. Franco, apesar de bem jovem, fala como um empresário que errou e acertou e soube aproveitar bem as duas experiências, mas, mais do que isso, demonstra sensatez quando avalia as próprias escolhas.

“Eu fui na cara e na coragem. Não tinha conhecimento em negócios e não me preparei muito. Nunca tive tempo para organizar as ideias e planejar, mas, mesmo assim, deu tudo certo, só que eu cometi vários erros”, pondera. “Na época, financeiramente era mais viável ingressar como MEI e isso ajudou muito nas finanças para o meu atual negócio”. Mas, a todo o momento, ele se dispõe a reformular as próprias estruturas e ir à luta se for o caso. Mais uma vez, ele se ajusta às características apontadas por Viviane, que lembra a importância em “planejar sempre, ajustando o negócio com o passar do tempo”.

“Eu estava mais condicionado a ficar no escritório e tinha uma equipe que ia à rua vender nosso produto, mas percebi que alguns não estavam dando retorno e, no mês passado, demiti quatro funcionários. O custo foi alto, mas eu mesmo estou fazendo o trabalho deles”, comenta. Seguindo a lógica de que “é o olho do dono que engorda o gado”, ele tem garantido a média de vendas no mesmo padrão, entre 80 e 100 pacotes de TV por mês, com uma equipe que passou de 10 para seis funcionários. “O que eu fazia com cinco pessoas, estou dando conta sozinho e tenho uma equipe muito boa que está comigo. Cuidando de perto, eu tenho mais resultado”.

Focado no futuro, Franco garante que o negócio “tem prazo de validade”. As portas que foram abertas a partir do MEI, para ele, tendem a se expandir cada vez mais. “Penso que até 2016, por conta dos eventos esportivos, esse mercado ainda vai ser lucrativo, mas eu intenciono em mantê-lo por um período breve e, depois disso, investir em um novo negócio, mas ainda estou avaliando em qual ramo.”

Registro garante renda e domínio do próprio tempo

Inscrita no MEI há dois anos, a vendedora de roupas e perfumes Camila de Sousa Silva, 28 anos, lista uma série de vantagens que obteve desde que viu o caminhão de atendimento do Sebrae e decidiu buscar informações sobre formalização. A medida permitiu acesso às instituições financeiras, garantias de direito e visibilidade para o negócio que mantinha há pouco tempo. “Foi tudo muito rápido, eu e meu marido entramos no ônibus e em coisa de 10 minutinhos eu já sai com o meu CNPJ e com os documentos para pagamento dos primeiros encargos. É muito bom estar formalizado e abre muito as portas”, ressalta.

Mãe de duas crianças, Camila lembra de quando era secretária e da mudança na vida da família, que foi substancial  a partir da ousadia em manter o próprio negócio. “Eu ganhava pouco e não tinha tempo para nada. Hoje, eu passo mais tempo com a minha família, ganho muito mais e tenho tempo para fazer coisas que eu não conseguia fazer antes, como academia”, menciona.

O faturamento do MEI é modesto se comparado ao de empresas com outro enquadramento. Por ano, o microempreendedor não pode faturar mais do que R$ 60 mil, mas o valor, por enquanto, atende bem às necessidades da família. Camila, o marido e os dois filhos se mantêm com os ganhos do negócio, que chega quase ao teto do estabelecido para a categoria. “Por mês, a gente ganha entre R$ 3,5 mil e R$ 5 mil, chegando a uma média de R$ 50 mil por ano”, contabiliza Camila, que tem um público seleto como clientela. “Vendemos roupas originais de marcas para advogados, médicos e empresários”, conta.

As perspectivas de crescimento são boas. Atualmente, Camila fotografa as roupas que comercializa e as divulga na página pessoal do Facebook, atitude que se mostrou promissora. “Estamos fazendo um site e, claro, pensamos em expandir, abrir uma loja no futuro”, salienta.

Os microempreendimentos são significativos no Brasil e, só em relação aos MEIs, englobam um universo com mais de 3,1 milhões de empreendedores – cerca de 170 mil no Rio Grande do Sul. De acordo com estudo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), os micronegócios contribuem com 20% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, representam 99% das empresas de serviços, 99,1%, das de comércio e geram 60% dos empregos formais no Brasil. Os números comprovam o potencial do segmento, e as oportunidades de crescimento são muitas, mas o almejado sucesso dos empreendedores não tem receita pronta. O principal ingrediente para ser bem-sucedido, no entanto, é possível indicar: informação.

Cristiano Cunha de Melo, contador-sócio da Segalin e Melo Escritório de Contabilidade, é um dos profissionais cadastrados no Rio Grande do Sul para prestar atendimento gratuito aos microempreendedores. Ele é enfático ao destacar que o conhecimento só tende a melhorar uma ideia de negócio ou indicar que o caminho não é o mais adequado. “O ideal é que o microempreendedor procure um escritório de contabilidade para orientá-lo antes de inscrever-se na categoria”, sugere. Os ganhos são inúmeros, a começar pelo cadastro, emissão dos primeiros documentos e indicações que podem tornar o negócio mais viável economicamente. Os contadores cadastrados no Portal do Empreendedor, no qual é feito o cadastro inicial do MEI, prestam serviço gratuito de inscrição, emissão de boletos de pagamento e a primeira declaração de rendimento.

Antes de buscar a inscrição, no entanto, Viviane Ferran, gerente de atendimento individual do Sebrae Rio Grande do Sul, orienta sobre a importância de estruturar um plano de negócios sobre o empreendimento, processo que é orientado gratuitamente pelo Sebrae. “Falta de planejamento e gestão são as maiores dificuldades que os empreendedores enfrentam, e a capacitação auxilia nesse processo”, defende. Esse é um atendimento muito valioso para o empresário, já indica uma série de procedimentos, desde a estrutura do mercado até a formação de preços do produto, passando pela análise de custo, receitas e fluxo de caixa.

Para quem quer avaliar bem os caminhos antes de dar o primeiro passo, o Sebrae disponibiliza cursos gratuitos presenciais e a distância (no portal ead.sebrae.com.br). “Geralmente, esse empreendedor mistura muito as finanças pessoais com as da empresa. Essa é uma dificuldade expressiva nos atendimentos que prestamos”, exemplifica Viviane. Os problemas seguintes são de planejamento, seguido do fluxo de caixa, negociação e vendas. “O empreendedor precisa estruturar como ele vai se organizar para atender os clientes e o que ele pode fazer para vender mais”, enumera.

Melo ressalta que o procedimento de estudo do negócio garante melhor retorno. “Algo que é muito importante é o cuidado do empreendedor com a formação de preços, ele tem que lucrar e garantir rentabilidade, mas precisa ser competitivo também”, avalia. “Não se pode formar preço sem fazer a pesquisa de pública e de mercado, ela é decisiva muitas vezes”, corrobora Viviane.

Frequentemente, a informação é o ponto de partida para o sucesso ou para o fracasso. “Infelizmente, muitas vezes, a falta de orientação prejudica muitos negócios que chegam a fechar. Por outro lado, pessoas que se estruturam e cuidam da gestão e sabem atender adequadamente seus clientes têm chance de sucesso maior”.

Acesso ao microcrédito incentiva a expansão de empreendimentos

O acesso ao microcrédito, garantido aos microempreendedores nas principais instituições financeiras do País, é um dos incentivos para expansão dos negócios. Prova do potencial de crescimento decorrente do estimulo é o caso da empreendedora Camila de Sousa Silva, que recorreu ao Programa Gaúcho de Microcrédito (PGM) para alavancar as vendas. “A formalização garantiu acesso aos bancos e eu pude abrir conta no Itaú, na Caixa Econômica Federal e, depois, conheci as linhas de crédito do Banrisul”, diz. Camila aderiu ao PGM junto ao Banrisul e aumentou o estoque de produtos. “Ajudou muito e deu para sentir o impacto do investimento. Nossas vendas aumentaram 40%”, avalia.

Os empréstimos vão de R$ 100,00 a R$ 15 mil com taxa de juro de 5% e prazo de até 24 meses, explica o superintendente da Unidade de Microcrédito do Banrisul, Sérgio Citolin, lembrando que os valores podem ser usados como capital de giro ou investimento e o que microempreendedor precisa ter uma atividade produtiva e estar cadastrado junto ao Portal do Empreendedor. Lançado em 2011, o programa já beneficiou 27,3 mil pessoas, totalizando R$ 211 milhões em crédito concedido.

A vantagem vem acompanhada, também, da orientação, para que a obtenção do crédito seja coerente e condizente com as necessidades do empresário. “Dentro do programa, temos a figura do agente de oportunidade, que faz um levantamento socioeconômico para avaliar capacidade de pagamento e a necessidade do microempreendedor”, explica Citolin. O objetivo, atesta o superintendente, é alavancar o MEI.

“Temos uma adimplência que é muito significativa”, garante Citolin, destacando que a perda de crédito do banco é inferior a 1%. “Isso é decorrente de uma avaliação correta da capacidade de pagamento e também de o microempreendedor ser bem selecionado, apoiado, orientado e da garantia colateral (um avalista), além do que o Estado é um bom apoiador”, sintetiza.

O superintendente reforça que a expansão do negócio, para ser bem-sucedida, deve vir imbuída de cuidados que voltam a revelar a importância de análise constante nas escolhas do microempreendedor.  As dicas, elenca, são tomar o crédito na medida certa (nem a mais e nem a menos) e colocar a capacidade de gerenciamento para o negócio, estruturando um bom fluxo de caixa. Também é preciso negociar com  fornecedores e investir em um bom pessoal para vender.

Marina Schmidt

Fonte: Jornal do Comério RS

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