Empresas dizem não fazer distinção entre cursos on-line e presenciais

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À medida em que se multiplicam os cursos virtuais e surgem novas plataformas que aproximam o professor de seus alunos, empresas se abrem para os cursos a distância. Companhias afirmam não fazer distinção sobre o modo como o profissional se formou -se presencial ou virtualmente.

Quando, há cerca de um ano e meio, participou de um processo seletivo na Dell, Miguel Nazer, 42, foi questionado sobre sua graduação e sua pós-graduação. O entrevistador, porém, não perguntou como exatamente os cursos foram feitos -e ambos foram realizados de maneira virtual.

Em 2002, Nazer já trabalhava com TI e não tinha concluído as duas faculdades que havia começado. Decidiu, então, fazer uma graduação em gerenciamento de tecnologia da informação, no formato a distância. Ele tinha aulas interativas a cada 7 dias e as provas eram presenciais.

Nazer afirma que não sentiu falta da sala de aula -e garante que, mesmo sem ter conhecido pessoalmente seus colegas e professores, fez amigos e ampliou sua rede de contatos.

“Do mesmo modo como temos funcionários que trabalham remotamente, acreditamos que a formação também pode ser feita a distância.”Segundo Alexandre Tran, diretor de aquisição de talentos da Dell na América Latina, a empresa não leva em conta como o curso foi feito.

Para ele, cursos virtuais são uma realidade tão sólida e crescente quanto o uso das redes sociais. É um caminho sem volta.

Para Yoshimiti Matsusaki, diretor de RH da empresa de tecnologia Finnet, um ponto positivo do e-learning é a necessidade que o aluno tem de estudar sozinho. Como desvantagem, ele aponta a ausência do trabalho em equipe e o conhecimento resultante disso.

Porém Matsusaki observa que mesmo os cursos presenciais não valorizam tanto esse aprendizado em grupo. “Muitas das aulas presenciais hoje são expositivas, unilaterais e com pouca interação entra as pessoas.”

A empresa aposta nos cursos ministrados a distância para a qualificação de seus profissionais. O coordenador de de desenvolvimento Willian Lee, 27, fez pós-graduação em liderança estratégica por meio dessa modalidade.

“Foi um desafio porque eu nunca tinha estado em uma posição de liderança e não havia feito um curso a distância. Mas era possível participar de debates por meio de fóruns, chats e lista de e-mails”, conta.Apesar de o tema de estudo envolver o relacionamento com pessoas, ele afirma que é possível aprender a liderar dessa forma.

A simpatia pelos cursos on-line não se restringe a empresas de tecnologia, que tendem a ser mais abertas a novas plataformas e soluções. Companhias de setores tradicionais, como construção civil e consumo, também revelaram não fazer distinção entre cursos presenciais e virtuais.

Fernanda Leal, gerente de desenvolvimento organizacional da Whirlpool, dona de marcas como Brastemp e Consul, afirma que o importante mesmo é o curso ser autorizado pelo MEC.

Para Lygia Villar, diretora de recursos humanos da Brookfield Incorporações, os cursos a distância hoje estão tão bem estruturados quanto os tradicionais.

Já para Mariana Sanchez, gerente de desenvolvimento organizacional e responsabilidade corporativa da empresa de logística TNT, algumas áreas do conhecimento se adaptam melhor do que outras à modalidade virtual.

Para a companhia, que realiza treinamentos a distância com seus funcionários, cursos técnicos são melhor avaliados quando feitos de maneira virtual.

“Nada substitui a sala de aula. Ministramos cursos virtuais que dependem menos do debate e da interação, como idiomas e informática, por exemplo”, afirma.

Especialistas dizem que o curso virtual “perfeito” é híbrido. Ou seja, tem também tarefas e atividades presenciais.

Para Rosana Marques, coordenadora da área de recursos humanos da Crowe Horwath Macro Auditoria e Consultoria, cursos presenciais promovem o trabalho em equipe e a evolução dos conflitos do grupo -características que são um desafio no ambiente empresarial.

Por conta da capacidade que o curso presencial tem de trabalhar a expressão de ideias e a gestão de conflitos na equipe, Marques diz acreditar que existe, sim, um certo preconceito com profissionais que fazem apenas cursos a distância.

Ela comenta que nem sempre os profissionais discriminam no currículo se o curso foi a virtual ou presencial. Por isso, ela costuma questionar detalhes dos cursos -como foram feitos e qual era o nível de interatividade das aulas realizadas a distância.

Jacqueline Resch, sócia-diretora da Resch Recursos Humanos defende que a primeira graduação do profissional deve ser feita de maneira presencial.

“A vida universitária dá muito mais do que apenas conhecimento. Dá vivência, experiência e rede de contatos”, afirma Resch.

“Uma graduação a distância pode sim representar um prejuízo maior para o profissional.”

Fonte: Folha de São Paulo

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