Demanda empresarial fraca afeta setor de serviços em 2013, aponta IBGE

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Nos últimos 12 meses, a receita nominal do setor de serviços cresceu próxima da inflação, indicando que o desempenho do setor foi fraco, de acordo com a primeira edição da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com Roberto Saldanha, técnico da coordenação de serviços e comércio do IBFGE, a demanda foi menor no setor empresarial. No primeiro semestre, a receita bruta nominal do setor de serviços cresceu 8,4%, mas a receita do segmento destinado às famílias cresceu 9,3%, enquanto outros segmentos destinados à atividade empresarial (com exceção de transportes), subiram abaixo da média,
“Tivemos uma atividade mais fraca no primeiro semestre de 2013 do que no primeiro semestre de 2012. Não se pode afirmar que isso decorre da desaceleração no ritmo de crescimento da renda das famílias. Na verdade, é resultado de uma demanda empresarial menor”, diz Saldanha.
Na avaliação do especialista do IBGE, o setor de serviços mostrou aceleração na passagem do primeiro para o segundo trimestre deste ano. Nos primeiros três meses, a alta foi de 7,6% sobre igual período de 2012, ritmo que cresceu para 9,2% no período de abril a junho também em relação ao ano passado.
Para Armando Castelar Pinheiro, coordenador de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a pesquisa mostra que o ciclo virtuoso pelo qual o setor de serviços passou no período recente ficou para trás, principalmente em um cenário de câmbio mais desvalorizado.
Segundo Castelar, a nova pesquisa é muito importante por acrescentar mais dados a respeito de setores que representam cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) – 36,5%, segundo o IBGE, mais do que a indústria. Até então, diz o economista, havia muita pouca informação sobre as atividades analisadas.
“Acho que o IBGE pode fazer contas nacionais mais informadas e a, partir de agora, os economistas terão mais dados para acompanhar a conjuntura”, disse. Castelar pondera, no entanto, que há uma volatilidade grande nas variações mensais divulgadas pelo IBGE, assim como discrepâncias regionais acentuadas. Em Mato Grosso, a receita nominal dos serviços saltou 29,7% em junho ante igual mês de 2012, enquanto no Rio Grande do Sul, a alta foi de apenas 1,6%.
Feitas essas ressalvas, o coordenador do Ibre avalia que os dados do IBGE reforçam que o setor passa por uma desaceleração estrutural, ainda mais considerando-se a inflação do setor como deflator dos números. Nos 12 meses encerrados em junho, afirma Pinheiro, os preços dos serviços subiram 8,6% no IPCA, quase a mesma variação apontada para a receita nominal do setor no período, de 8,9%. “Esta é a melhor aproximação, mais correta do que deflacionar pelo IPCA.”
Para José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do banco Fator, os dados da pesquisa são “muito ricos” e servem para dar mais pistas sobre o desempenho de um dos segmentos mais importantes da economia brasileira, mas, em um primeiro momento, não podem ser tomados como base para estimar a evolução do PIB do setor. “Por enquanto, é mais importante tentarmos entender o alcance desses dados do que propriamente usá-los”, diz.
Segundo Gonçalves, fazem falta na pesquisa dados sobre os setores financeiro, de saúde e educação, ramos em que, de acordo com ele, é “complicado” medir a prestação de serviços, mas elogia a inclusão do segmento de tecnologia da informação (TI), sobre o qual há poucas informações disponíveis e que vem ganhando destaque na economia nos últimos anos. O economista ressalta que, por contemplar resultados nominais da receita, a pesquisa não pode ser levada em conta para estimar o nível de atividade dos serviços e o PIB do setor, pelo menos por enquanto.
Em junho (sobre junho de 2012), o setor que mais contribuiu o crescimento de 8,6% do setor de serviços foi o de transportes, serviços auxiliares dos transportes e correio, com alta de 9,8%. Com esse resultado, a atividade de transporte contribuiu com três pontos percentuais para a formação da receita de serviços, o equivalente a 35% do crescimento do setor.
A pesquisa investiga o setor de serviços no país e abrange as atividades que constituem o segmento empresarial não financeiro, excluindo-se os setores da saúde, educação, administração pública e aluguel imputado (valor que os proprietários teriam direito de receber se alugassem os imóveis onde moram).

Fonte: Valor Econômico

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