BC não subirá juro por longo período

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Apesar de enxergar a Inflação acima da meta ao longo dos próximos dois anos, o Banco Central (BC) resolveu, na semana passada, cortar os juros e deixar a Taxa Básica (Selic) no menor patamar da história: 7,25% ao ano. Na ata da reunião do Comitê de Política monetária (Copom), o BC não só mostrou que o ciclo de cortes nos juros acabou, mas também deixou claro que não está disposto a aumentar a Taxa Básica por um bom período. — É estranho cortar enxergando uma Inflação fora da meta no futuro, mas eles falam em Balanço de risco, ou seja, contam com a crise para conter a Inflação e adiantam que a Inflação dará uns repiques — disse o Economista do Banco Espírito Santo (BES) Flávio Serrano, para quem o BC já devia ter parado há tempos de cortar os juros. Uma das premissas para que o cenário de juros estabilizados em 7,25% se concretize é o cumprimento pelo governo da meta cheia de superávit primário, de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de Bens e Serviços produzidos pelo país), em 2012, 2013 e até 2014. Mas o caixa está fraco com a arrecadação de impostos. Nos últimos 12 meses, o superávit primário está em 2,46% do PIB. — Até a torcida do Corinthians já percebeu que a meta de superávit não será cumprida — disse o Economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central. Para ele, o BC não subirá os juros em 2013 nem em 2014, ano eleitoral.

A autoridade monetária, porém, pode mudar de ideia como fez no primeiro semestre, diz ele, quando afirmou que os juros ficariam muito tempo em 9% ao ano e cortou a Selic em seguida. Na ata divulgada ontem, o COPOM diz que “a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da Inflação para a meta, ainda que de forma não linear”. A decisão do COPOM de baixar 0,25 ponto percentual da Selic não foi unânime: foram 5 votos a 3. Pela primeira vez, pelas novas regras de transparência, o BC identificou as opiniões divergentes. Um grupo liderado pelo presidente Alexandre Tombini votou pela redução com o argumento de que há incertezas ante a recuperação da Economia e a pressão sobre a Inflação vem de choques, não da demanda. Três diretores discordaram por achar que os cortes feitos desde agosto do ano passado seriam suficientes para impulsionar o crescimento e o crescente consumo do brasileiro pode pesar na alta de preços. — Nos próximos meses, vamos ver um jogo do governo em cima da inflação, com o corte nas tarifas de energia e (controle) no Preço da gasolina — afirmou o Economista Sérgio Vale, da MB Associados.

Fonte: O Globo

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